domingo, 4 de agosto de 2013

Caminhada

A caminhada é comparação que mais gosto com a vida. Todas aquelas coisas chavão e clichê, tipo “toda caminhada começa com o primeiro passo”;

A minha caminhada começou muito antes do que posso me lembrar. Minha alma imortal trilhou certamente dezenas (quem sabe centenas) de vezes as experiências que o mundo físico proporcionam para o resgate de nossas imperfeições, a iluminação de cantos escuros de nossas almas egoístas e imaturas.

Mas nesta vida, nesta existência como Micheline, desde cedo, eu soube que caminharia rumo à alguma coisa. Não seria simplesmente como gado, procurando por alimento, proteção, água, dormir. Com as provas que assumi, (com a maior dignidade possível à uma alma tão imperfeita), esperava dar mais um passo à Espiritualidade Maior. Considerei durante muitos anos, que sofria “punições” por “crimes” que eu pudesse ter cometido. Durante um certo período, eu tinha a infeliz idéia autopiedosa de que se eu suportasse até o fim, garantiria ‘o Perdão Divino”;

Muito semelhante ao personagem John Constantine, do filme Constantine. Eu pretendi cumprir uma tarefa, para merecer “ficar livre” do que eu considerva um castigo, ou um “carma”.

A realidade, a verdade da vida correta e espiritual, é outra.

Só quando fazemos as coisas abnegadamente, só quando fazemos as coisas com verdadeiro amor, sem esperar reconhecimento, sem esperar recompensas, sem esperar NADA, é que estamos plantando na alma, os verdadeiros valores. A decisão de viver uma vida correta, não passa pelas esferas do entendimento racional. Essa é uma decisão exclusivamente emocional. Sabemos a diferença entre certo e errado, luz e treva, solidariedade o egoísmo. Mas voluntariamente ficamos com as segundas opções por escolha emocional, tão arraigados às vaidades que temos.

O Grande Espírito, quando abnegadamente veio caminhar no meio das nossas almas falidas, disse que devíamos amar nossos inimigos, que deveríamos ser mansos de coração, e todas as verdades fraternas e grande elevação moral que conhecemos, sabemos ser verdade, e não praticamos. Não temos mérito nenhum em amar quem nos ama. Se amamos aqueles que nos ferem, aí está a prova do valor espiritual escolhido com o coração;

Mas justificamos nossas almas imaturas dizendo que não somos como Jesus, e que até tentamos, mas que somos humanos, limitados, e que não temos o poder de compreensão e de amor ilimitado, assim adiamos os passos importantes da busca pela verdade.

Toda ação tem uma reação. E se a sua vida está recheada de problemas, é porque você vê a vida como um problema. Menos reclamação e mais ação mudam tudo. Observar a vida por outros ângulos e outras perspectivaas ajudam a sair desse torpor maligno e estagnário. Nada é tão ruim que não possa piorar. Quem acha que perdeu tudo, é porque não pensou direito. Sempre temos mais a perder. Enquanto mantiver sua mente cativa de paradigmas, a vida parecerá cruel, difícil, injusta e inglória.

Autopiedade é uma coisa que tenho visto de sobra nas pessoas ao meu redor. Como as pessoas são coitadas! Como desejam falar sobre seus temores, suas doenças, suas dificuldades e problemas gigantescos, seus absurdos dilemas morais, e inacreditavelmente esperam que as pessoas se compadeçam de suas desgraças. Querem ser consolados, elogiados ou bajulados, para o alimento de seu ego maior que o universo. “Pobre fulano, sofre com o pai alcoólatra”. “Pobre ciclana, o marido a abandonou com dois filhos”,”Coitada da ciclana, doente desse jeito”.”Coitado do Beltrano, se sentindo triste”. As pessoas sofrem de um coitadismo que me acordou para o meu próprio processo de evolução. Tenho vergonha de me sentir coitadinha. Tenho vergonha de receber a piedade alheia. Talvez eu esteja sendo só orgulhosa (o que vou ter que trabalhar seriamente), mas não sinto necessidade da pena alheia para me sentir melhor, percebida, valorizada (?).

Não ando por aí reclamando da minha vida, do meu trabalho, do meu chefe, dos meus colegas, da falta de dinheiro, do governo, da vizinha, da cunhada, da sogra, dos preços, da inflação, da chuva, do frio, do calor.

Eu me esforço ao máximo para não ser maledicente, eu me esforço para não falar da vida alheia, seja criticando ou somente fofocando. Eu tenho me afastado das pessoas que têm esse perfil (o que também não está certo, eu deveria ajudá-las a melhorar, a mudar seus enfoques e interesses, e não faço isso. Simplesmente me retiro da presença de suas energias densas e pegajosas, e as deixo ao sabor de suas próprias consciências, quem sabe um dia elas despertam sozinhas).

Durante um tempo, minha vaidade era ser alguém importante para a humanidade. Eu queria ser inventora de alguma coisa maravilhosa, mas meramente para ser reconhecida por isso. Meu esforço para ajudar a humanidade ainda não é sincero, embora às vezes eu sinta no meu coração a vontade real de ajudar. Mas a minha preguiça moral ainda é grande. E a responsabilidade que existe por trás de ser altruísta, ainda é algo que não tenho certeza de querer.

Mal consigo me compadecer dos “coitados” que tem por aí. Gente que tem TUDO, mas reclama de não ter o supérfulo. Gente com capacidade, inteligência, beleza, juventude; Gente que tem todos os recursos possíveis ao alcance da mão para viver dignamente, com retidão, com simplicidade, com alegria. Mas as criaturas se acham as mais desgraçadas do universo. Reclamam do pouco que lhes falta, sem observar tudo que tem. Se acham desventuradas porque nem tudo sai como elas querem, mimadas e egoístas que são. Se acham uns pobres anjos caídos, amaldiçoados por seu brilho incomum, invejados e infelizes. ¬¬

Deixar de ser escravo requer muito esforço. E muito mais esforço ainda para se manter livre. E absurdamente mais esforço para ajudar outros a se libertar. E um desprendimento quase angelical para ajudar a libertar os inimigos, ou aqueles que nos são indiferentes.

A verdade é que somos almas imortais, vivendo experiências físicas com o objetivo de aprender a ser como o Grande Espírito.

Pouco importa em quê dogma religioso você se fundamentou nesta existência. Quando a morte do corpo físico chegar, e lá do outro lado você acordar, lúcido, mantendo todas as faculdades mentais, os amores, as lembranças, e alguém que você amou um dia estiver lá pra te receber, tudo que limitou sua compreensão da vida e da espiritualidade vai desmanchar-se sob seus olhos incrédulos. E quando a consciência das outras existências também voltar, você pensará: “Como pude me cegar voluntariamente à Verdade e à Vida?”

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