Me lembro de uma comunidade no Orkut que rendia altas risadas, que chamava "Vá se tratar" (ou alguma coisa assim) e as pessoas mais desabafavam suas raivas e frustrações com outras pessoas, e acabava sendo absurdamente engraçado o modo como elas expunham aquilo.
Lembrei disso porque fiquei pensando em capítulos recentes da vida e história desta escrevente, em que amigos, parentes e desconhecidos têm se servido ou de um modo ortodoxo, bem convencional de terapia (com psicólogos, teraputas e psiquiatras), ou de formas espontâneas e despreocupada (conversando com amigos, lendo, estudando e percebendo o mundo por novas óticas);
As pessoas se estapeiam por tão pouco!
Quando morrermos (e veja bem TODOS VAMOS MORRER ALGUM DIA) tudo vai ficar para trás: a “xicrinha que era da vovó”, o “abajurzinho que era da titia”, a cristaleira que era de não sei quem. O dinheiro pelo qual tanto brigou, também não vai te acompanhar na vida além túmulo.
Só há uma razão para estarmos nesse mundo, e essa razão é sermos pessoas melhores. É deixarmos de lado o apego bisonho que temos com as coisas e com as pessoas. É reparar que o mundo não gira ao redor de nossos umbigos. É perdoar as ofensas, não contrair novas dívidas morais. É aplicar integralmente o amor e o perdão, a nós mesmos principalmente. E lembrar que somos efêmeros demais para guerrear tanto. Vingança é tão rídiculo quanto morder o cachorro porque ele te mordeu.
Nunca em lugar nenhum na vida, na história, o ódio acabou com o ódio. Só o amor restaura.
O apego – e não estou falando de carinho, de cuidado, estou falando da obsessão, de exagero, do sentimento de posse que nos domina – é a causa de todos os males da humanidade.
Não, não é o dinheiro.
É a estranha mania que as pessoas têm de achar que só o dinheiro corrompe.
Anote: Mãe superprotetora que se mete na vida dos filhos, controlando, excluindo, escravizando: Apego. Teve filhos para ela. Só falta mastigá-los e engolí-los, tal Cronos.
Pai que exige que os filhos assumam os “negócios da família”, não admitindo outros sonhos, outras carreiras: APEGO. Ilusão do controle. Um dia papai tbm vai morrer e o pobre rebento nem pensar sozinho conseguirá, porque não foi ensinado a fazer isso.
Esposa (ou namorada – e o contrário tbm) que vasculha a carteira, os bolsos, o celular, o computador, que exige senha de email e rede social para controlar a vida do outro. Ciúmes? Nããão. APEGO. Achar que a pessoa te pertence. Achar que tendo “controle” sobre a pessoa, ela vai te pertencer. Nunca somos donos de nada.
Não possuimos nada. Tudo, inclusive o corpo que habitamos, um dia teremos de devolver. Somos pó, ao pó retornamos.
Nossa experiência deveria ser simples, mas somos egoístas. Queremos o sol acima do sol.
Tão fácil: seja bom, não roube, não humilhe, não critique, divida conhecimento, ajude quem sabe menos, ajude quem tem menos, coma menos, ande mais, olhe mais o pôr do sol, ouça o vento, aprecie o frio, aprecie o calor, escute a chuva, reclame menos, levante cedo para ver o sol nascer, olhe as estrelas, olhe a lua, pare de resmungar porque as coisas não saíram do jeito que você queria porque você NÃO TEM O CONTROLE DE TUDO.
Entender, todos entendem. Aceitar é que é difícil.
E as pessoas, então, precisam de tratamento para aceitar que um dia vão morrer, que não possuem de fato NADA, e que as outras pessoas também morrem, mesmo que vc tenha a senha do facebook delas.
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