É estranho eu relatar cena após cena de como eu fui compondo esse texto.
Apaguei as duas primeiras letras, e despejei tudo o que eu queria dizer pra você em sequência. O texto ficou truncado, e eu achei que nada poderia expressar melhor esse nó seco na garganta.
Nunca lidei bem com rejeições, e você nunca soube se comunicar direito. Deixa pra depois. Eu te ligo. Surgiu um imprevisto, me desculpa. Depois a gente se fala. Me manda um e-mail. Era mais fácil ter me dito que tanto faz.
Alguma vez você já terminou algum dos seus planos sem interromper outro? Ou você sempre foi meio assim… pela metade? Não tenho nada de novo pra contar, não. Não quero manter uma pasta com esses momentos todos armazenados, arquivados ou qualquer coisa do tipo. Não quero passar por nenhuma recaída. Mas eu tenho acordado todos os dias às 5h da manhã. Daí eu ligo a TV e abro o jornal. O jornal local é péssimo. Abro o e-mail e checo a minha caixa de entrada. É bem verdade que eu corro os olhos por tudo isso sempre, pra encontrar você ou alguma pista do que eu me pergunto todos os dias. Por que ele me deixou ir embora?
O problema é que você nunca enviou aquele tal e-mail. Nem me ligou. Nem apareceu para provar que eu estava errada. Não notou a minha falta e nem revirou o meu lixo em busca das dezenas de folhas de papel amassadas. Nem desamassou algumas delas pra perceber que eu ensaiei uma despedida e só queria mesmo é que você me impedisse.
Nem me consolou quando fugi desesperada para o aeroporto, e eu embacei as lentes dos óculos com um choro baixinho, pra ninguém notar que eu não tinha de quem me despedir. Você deletou tudo como se fosse um anúncio importuno ou um cavalo de tróia. Eu ainda esperei que ele tivesse ido parar na minha caixa de Spam. Mas tinha nada. Nunca teve e nunca chegou aqui. Não deve ter lido aquele, e nem os outros que eu não enviei. Você jogou aquele e-mail na lixeira.
E o nosso amor ficou pra sempre no rascunho malfeito da minha caixa de entrada…
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