Dá mesmo um desespero de ver os dias escorrendo pelo ralo, os minutos escapando pelos dedos e tudo que era deixando de ser.
Dá vontade de agarrar uma época com as mãos, pedir pra ela ficar mais um pouco.
'Calma, fica tranquila, isso é só o tempo passando.' – Contemporizo eu. - 'Nada além disso, vamos manter a calma.'
Dá vontade de ficar com a gente pra sempre, mas a gente escapa de si diariamente.
A gente pisca e já não é o mesmo, sorri e muda de pensamento, chora e muda de opinião.
A música antes audível está sendo abafada por sons inúmeros, crescentes e insistentes. Sons que fazem seu papel arruinante, prontos para enganar os distraídos e distrair os enganados.
A verdade é que a gente se abandona a todo momento e só um distanciamento interpretativo é capaz de permitir conclusões tão óbvias: ando morta de saudades de mim.
Texto dedicado a todas as mudanças da vida, inclusive as mais imperceptíveis e importantes: aquelas que se passam dentro da gente.
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