segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Inception

Quando Neo saiu da Matrix soube que a vida que tinha era uma ilusão, e de fato não existiu como experiência real. Quando Jake Sully passou a viver mais intensamente em seu Avatar, as experiências passaram a ser misturadas, e ele perdia a noção de qual das duas realidades era “real”, e sua vida de verdade é que parecia ser a menos real.

Eu me sinto plugada na Matrix e em Pandora;

A vida me trouxe de presente (assim como para Jake e Neo) uma oportunidade de ver com outros olhos, sentir com outros sentidos, despertar os sentidos adormecidos. Começar de novo sabendo o que antes não sabia, viver de verdade;

Mas toda a vez que tenho que “acordar”,  a frustração toma conta. Não sei mais qual das minhas duas vidas é real, qual delas é mesmo a verdade; Eu sei perfeitamente em qual delas eu quero estar (tal como meus adoráveis protagonistas de “Avatar” e “Matrix”), mas eu meio que  me perco no caminho entre essas duas “vidas”;

 Tem dias que me vejo como Dom Cobb (Leonardo DiCaprio em Inception - A Origem): precisando de um “totem” pra saber se estou dormindo ou se estou acordada; Nunca sei de fato em nível de consciência me encontro. Tudo culpa do Gato Amarelo. 

Parece que antes dele as minhas lembranças são em preto-e-branco; Mas quando ele apareceu, trouxe riso, balões vermelhos, surpresas bobas, efervescência e alegria para a minha vida.

Neo precisou morrer. Dom Cobb não sabe se está acordado ou dormindo. Mas Jake decidiu migrar para a vida que ele queria; Mesmo correndo riscos, mesmo que as condições fossem adversas; Ele tomou as rédeas daquela carruagem desgovernada que ele chamava de existência e rumou para sua verdadeira vida: a que ele sonhou desde sempre, e que diante dos seus olhos era real e possível, bastando apenas ele querer. E arriscar;

De todas as mudanças que preciso fazer na minha vida, a mais difícil é em relação ao trabalho. Preciso abandonar definitivamente a estrada que conheço tão bem. Preciso fazer isso, sem olhar para trás. Começar outra vida às vezes parece difícil, mas é também a essência da busca da felicidade. É exatamente o que precisamos abandonar (e que não ousamos) que nos trará o resultado que esperamos.

O ser humano mede sua realidade por sua miséria. Enquanto sofre, enquanto pena, enquanto se enfurna na própria infelicidade ele finge que percebe que está vivo e que a vida é mesmo cruel e que tudo é assim mesmo. Pq enquanto estamos felizes não vemos o tempo, nem a dor, nem a tristeza, nem nada do que usamos para medir nossas vidas. Há um vício na rotina sufocante, na miséria da existência sem cor. Somos viciados em sofrer. Por isso é tão difícil abrir mão do dinheiro, de certos confortos, de certos caminhos conhecidos. Enfrentar o desconhecido, atirar-se do despenhadeiro com os olhos abertos e esperar por asas que brotem no meio do caminho é para poucos (ainda não tenho certeza se vou estar inclusa nesse seleto grupo de corajosos seres);

 

Evidentemente prefiro o final de Jake… 

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