quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Mais do mesmo

 

Todo mundo alardeia mudanças, e posta o corte de cabelo novo, a tinta nova, o esmalte, o mundo;

Eu mudei. Tão silenciosamente quanto possível. Acho que comecei esse blog tentando fazer como todo mundo, alardeando. Tentando me apoiar no infinito e no espaço vazio que surgiu. Caindo no buraco imenso das coisas que não foram. Sendo essa mulher moderna, dominadora, meio machista, meio feminista, querendo amantes à moda antiga mas sendo um robô pós moderno.

Me casei cedo, vivi uma história linda e feliz que acabou depois de 8 anos. Tem 5 anos que sigo realizando tentativas dissimuladas de cumprir um papel imposto pela cultura padrão, que é “ser completa”, o que na prática impõe à mulher que para ela ser triunfantemente bem sucedida, ela deve ter um homem ao seu lado. Tentativas rotuladas como tentativas. Fail.

Não consigo namorar. Na concepção social da palavra. Eu sou uma profissional absurdamente requisitada, estável, relativamente bem remunerada, sem tempo pra resenha. E na concepção social, namorar é resenhar, é perder minutos preciosos com jogos sem fundamento, é obrigar a pessoa a viajar profundamente na maionese sem usar ópio. É um tipo de compromisso sacrificante e militar.

O que eu sempre busquei foi parceria. Não preciso que ninguém me sustente, nem pague minhas contas, faço isso sozinha. Eu quero algo que me acrescente como ser humano, que me faça mais feliz, que traga sorrisos ao meu rosto durante o dia ao lembrar das coisas boas que aconteceram na noite anterior; Quero mais do que eu vejo minhas amigas “que namoram” terem. Essa coisa de ficar me ligando 10 vezes por dia, me mandar 451.789.369 mensagens, reclamar pq não respondi todas, encher meu ouvido de perguntas sobre “o que aconteceu?”, “eu fiz alguma coisa?”, quando eu só quero ficar quieta, em silêncio.. tah loco… isso não é pra mim; E 99,99% dos machos da minha geração não conseguem entender isso, não conseguem conviver com uma mulher 100% independente (pq vamos combinar, néam, amiga, nem pra ter um orgasmo se precisa de um homem), que não PRECISA da companhia deles. QUERER é diferente de PRECISAR (no significado e na grafia, alôuuu);  De caras querendo só me comer eu já tô cheia.. tem fila (e acredite, não estou achando nem um pouco bom, nem legal e não tô me “achando” por isso, pelo contrário.. significa que as pessoas pensam que não devo ser levada a sério, pq homem diante de mulher independente só tem tesão e medo de chifre).

Não. A vibe maternal não está batendo na minha porta. Não pretendo ter filhos, nem agora, nem depois, nem mais tarde, nem quando estiver às portas da morte. Serei eu comigo mesma, e nesse contexto não cabe um filho.

Não. Não estou desesperada para morar com ninguém, nem casar no civil, nem no religioso, nem nada que equivalha. Eu quero mesmo ficar na minha casa, e você na sua. Eu pago meu impostos e vc os seus, saca? O que não significa o cara não possa ser gentil e pagar um jantar, e que quando estiver sem grana eu pague, qual o problema?

Mudei na maneira de ver o mundo.. ao invés de ficar aqui sonhando com a Itália, com a Nova Zelândia e com a Austrália, eu simplesmente já comecei a pagar os pacotes de viagens que eu quero e VOU fazer. Não consigo mais ficr aqui chorando que não dá, que não tenho dinheiro, como eu queria isso, como eu queria aquilo. Eu vou cuidar de ser feliz, de me proporcionar o que houver de melhor, de mais precioso, de mais incrível.

A gente sempre diz que “esse ano vai ser diferente”. O meu já está sendo. Eu mudei.

Um comentário:

  1. Tem um Texto Maravilhoso do Edson Marques, Chamado Mude,que é uma Ode à Mudança! Caso queria ler, vai servir de Aditivo para o seu combustível:
    http://mude.blogspot.com/2001/10/mude-mas-comece-devagar-comece-na-sua.html

    Em Tempo!
    Adorei meus presentes de amigo Secreto. Beijos cheios de saudade!!

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